domingo, 18 de setembro de 2011

Noite de Sombras - Pamela Alves

Hey gente,
Dêem sua opiniao sobre o meu conto *-*


- Noite de Sombras -


A chuva descia torrencialmente pelas paredes e janela da casa. A tarde naquele dia demorará á terminar, como se quisesse impedir a chegada iminente da noite. O Sol relutava em apagar-se, do mesmo modo que a esperança reluta para sair da alma das pessoas. E quando finalmente as trevas ganharam aquela batalha muda, a chuva veio para lavar e levar quaisquer resquícios de destruição deixados pela guerra travada.
Norah observava os relâmpagos no céu. O ultimo recurso que a luz encontrava para garantir sua presença e não se dar por derrotada.
Ela observava quieta, da janela do quarto. Norah gostava da chuva, mas tinha preferência pelo luar. Preferia as noites enluaradas, e os dias chuvosos. Ainda mais quando estava sozinha, como era o caso. A chuva de noite lhe trazia solidão e medo. A Lua lhe trazia forças.
Entretanto, aquele dia em especial, não fazia diferença a presença da chuva ou da Lua do lado de fora. Por que a verdadeira chuva estava dentro dela. E como os relâmpagos lá fora, ela também tentava manter a luz em si.
Norah  saiu da janela, mas não a fechou. Apenas encostou o vidro e, mesmo após se deitar, continuou observando a chuva cair, em sua demonstração de poder.
Ficou um bom tempo daquele modo, até que pegou no sono.  Mas assim que sentiu dormir, um barulho a despertou novamente. Era um som seco, vindo da janela.
Ela olhou ao redor, procurando localizar o causador do barulho. E o que viu a deixou surpresa, como nunca havia ficado em toda a sua vida.
Seu primeiro impulso foi correr, mas uma voz falou em sua mente.
- Você não precisa ir.
Ela sabia que tinha que correr; que salvar sua vida. Mas algo a estava prendendo.
- Curta vida!
A voz ecoou em sua cabeça novamente.
Ela então olhou para o estranho em sua frente. Sua imagem era muito mais curiosa do que a voz que lhe falava em pensamento. Ela não sabia como agira diante daquilo. E de repente, sentiu que não deveria fazer nada. Ela não queria fazer nada. Qualquer coisa que ela fizesse seria insignificante comparado a ele. Comparado ao que ele poderia fazer. Porque diante de seus olhos estava o ser mais lindo que já vira na vida, e que, de maneira leve e graciosa havia entrado pela sua janela, sem o menor esforço. Seus passos pareciam não sentir o peso de seu corpo, o que lhe proporcionava a impressão de estar flutuando ao invés de andando.
Sua pele era muito branca. Tão branca como as nuvens do céu, e resplandecia na escuridão do quarto. Mas tudo isso era apenas levemente notado por Norah, que estava agora olhando fixamente nos lindos olhos negros daquele ser, que pareciam puxá-la e afogá-la e fazê-la perder-se.
- não precisa ter medo querida.
Ele falou-lhe novamente.
- Não estou com medo!
Norah respondeu em pensamento. Ao menos, foi isso que ela pensou. Mas sua as palavras saíram claras de sua boca, como se ela não tivesse mais controle sobre elas.
Ele sorriu então. Um sorriso aprovador, cativante... Misterioso.
Norah sentiu-se ainda mais perdida e sem ação.
Deslizando suavemente pelo quarto, ele andou na direção dela, tão suave que era impossível ouvir seus passos.
Rápido demais para a forma como andava, ele chegou ao lado da cama de Norah. Nesse momento ela já não se lembrava quem era ou aonde estava. Tudo que ela via eram seus olhos e nada mais.
Ele colocou a mão em seu braço, deslizando-a para pegar na mão na dela. Ergueu-a em direção a boca. Qualquer um que visse, pensaria estar vendo um cortejo a moda antiga. Mas mais do que um comprimento, aquele beijo era um convite. Um convite para uma vida de trevas. Aquele era um beijo fatal.

Joe acordou de um salto. O que vira fora real demais para ser um sonho. Vivo demais.
Sem pensar duas vezes, ele se levantou e saiu, não ligando para a chuva que caia louca naquela noite. Ele nem ao menos reparava nela. Tudo o que estava em sua mente agora era a cena que vira a pouco. Ele não estava apenas sonhando, tinha certeza. Norah estava precisando de sua ajuda naquele momento, não havia duvidas.
Joe nunca entendeu sua ligação com Norah. Desde que ela apareceu em sua vida, naquele primeiro dia de aula, Joe sonhava com ela. Varios sonhos, mas todos com o mesmo tema: ele estava salvando Norah.
Enquanto caminhava pelas ruas molhadas, pensava em como era ridículo o que estava fazendo. Mas aquele sonho tinha sido diferente de todos os outros. Ele não estava a salvando. Ela estava correndo perigo. E ele acordou sabendo que deveria ir atrás dela na vida real, apesar de parecer ridículo.
Antes que pudesse refletir mais a respeito, estacou. Tinha chegado ao seu destino. Estava diante da casa de Norah. Era agora ou nunca.

Ele levou a mão de Norah na direção da boca, mas parou. Olhou para ela e sorriu. Norah não entendia o porque ele havia parado. O que ela havia feito de errado?
- Você não fez nada querida.
Ele pousou a mão dela sobre a cama novamente a acariciou a face de Norah com as costas da mão. Norah sentiu-se congelar ao contato da pele fria dele sobre a dela. Entretanto, aquele toque causava uma sensação de bem estar jamais sentido por ela. Sua mão desceu ate o pescoço, afastando o cabelo que caia naquela região. Norah sentiu seu coração parar ante aquele gesto. Maquinalmente ela inclinou a cabeça para o lado, deixando o pescoço em completa exposição. Ele aproximou-se, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a porta do quarto abriu com um estrondo e Joe entrou.
Norah assistia aquela cena pasmada. Aos poucos ela recobrou-se do transe em que se encontrava.
- Aquele diante de mim é Joe? O que ele faz aqui? – Ela pensava – Joe nunca deu nenhuma importância a mim, mesmo eu sendo completamente apaixonada por ele. Ele nem sequer notava isso. Nem sequer me notava. Sempre se afastando, sempre distante. Então, o que ele esta fazendo aqui no meu quarto, numa madrugada de chuva, impedindo um...
Nesse momento sua mente se lembrou do que se passava no cômodo momento antes da entrada de Joe. Ela olhou ao redor, assustada.
Joe estava tentando impedir que ele pulasse pela janela. Puxou-o pela blusa, e os dois caíram no chão. Uma atitude quase inútil de Joe porque no instante seguinte ele já estava de pé, enquanto Joe ainda tentava se levantar do chão.
Muito mais rápido do que o possível para qualquer ser humano, ele se colocou ao lado de Norah novamente. Ela queria gritar, mas no instante que viu seus olhos novamente, sua voz faltou.
Ele estendeu a mão para Norah, convidando a ir com ele e ela obedeceu prontamente. Assim que ela se pôs de pé, ele puxou-a para perto e dirigiu sua boca ao pescoço. Norah sentiu então o toque dos lábios gelados em sua pele.

Joe estava de pé agora, vendo a cena que se passava em sua frente sem saber o que fazer. Precisava pensar rápido.
Olhou ao redor procurando por algo que pudesse lhe ajudar. Viu então uma miniatura da Torre Eiffel. Não era o objeto mais apropriado, mas era melhor que nada. Sem pensar duas vezes, pegou o objeto e cravou nas costas dele. Ele gritou de dor, caindo de costas nos chão. Joe sabia que não era o suficiente, por isso cravou o objeto em seu coração. Numa nuvem de fumaça, ele desapareceu completamente.
Joe então correu á Norah, que estava em choque. Assim que se aproximou dela, ela desmaiou. Joe colocou-a na cama. Depois limpou o objeto e colocou no mesmo lugar. Tudo parecia em ordem.
Voltou para casa mas não dormiu. Não sabia o que Norah iria achar que havia acontecido ou mesmo se ela iria se recordar de algo. Ele queria lhe contar, dizer tudo a ela, mas não era a hora. Ainda não.

Norah acordou assustada no dia seguinte. Olhou ao redor, com o coração disparado, mas só para constar que tudo estava no lugar.
Começou a rir lembrando do sonho que tivera na noite passada. Era um sonho estranho e surreal. Poderia até mesmo se considerado ridículo. Ela não conseguia acreditar que sonhara com aquilo.
Foi então tomar banho para ir a escola, ainda sorrindo.

Em seu castelo ele repousava, rindo de saber que enganara a todos. E sabendo que em breve, muito em breve, voltaria!


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